Análise de público e renda do Brasileirão 2025



Após publicar a análise de performance dos clubes no  Brasileirão 2025, publico agora a análise de público e renda com os dados coletados dos borderôs publicados no site da CBF. Esta edição atingiu a terceira maior média de público total e pagante da história. 

O Top 5 de público do Brasileirão continua composto por quatro edições dos pontos corridos e apenas a edição de 1983 da época dos mata matas, mas o Top 3 está definitivamente composto por três edições dos pontos corridos:

ANO

TOTAL

PAGANTE

1

2023

27.753

26.511

2

2024

26.837

25.817

3

2025

26.470

25.547

4

1983

22.953

 

5

2019

22.435

21.236

Os números finais de 2025 foram os seguintes:

  • Público total: 26.470
  • Público pagante: 25.547
  • Renda bruta: R$ 1,36 mi
  • Taxa de ocupação: 58%
  • Ticket médio: R$ 53,37
 
Foram nove rodadas com média de público acima de 30 mil, com quatro rodadas concentradas nas últimas dez rodadas da competição e as outras cinco foram no primeiro turno. Por outro lado, seis das 10 piores médias estão concentradas no primeiro turno. 

Em 2025 foram seis clubes com médias acima de 30 mil de público total, cinco clubes a menos do que 2024 e esse foi um dos motivos de não termos média maior que o ano passado. 

Ao final de 2023 eu havia definido o Clube dos Sete (Atlético Mineiro, Corinthians, Flamengo, Fluminense, Fortaleza, Palmeiras e São Paulo), as torcidas que desde 2019 estão dando sustentação para as elevadas médias de público. Em 2024 Bahia e Cruzeiro novamente repetiram as médias do ano anterior e aumentei para o Clube dos Nove, mas em 2025 o Ceará, que retornou a Série A, fez parte deste grupo superando o Fortaleza. 

As médias de público total e pagante de 2025 foram as seguintes:

 

CLUBE

PUBLICO TOTAL

PUBLICO PAGANTE

1

FLA

62.548

58.554

2

CRU

44.089

40.158

3

COR

40.003

39.934

4

BAH

38.160

38.160

5

PAL

34.942

34.938

6

CEA

34.798

34.702

7

FLU

29.073

26.823

8

SÃO

28.676

28.654

9

CAM

27.549

24.087

10

FOR

26.934

26.391

11

GRE

25.515

25.515

12

INT

24.365

24.365

13

VAS

22.266

21.471

14

VIT

22.144

22.144

15

SAN

17.022

17.012

16

BOT

16.900

19.989

17

SPO

15.143

14.017

18

JUV

8.060

8.060

19

MIR

6.294

6.287

20

RBB

4.920

4.917


Os 10 primeiros do ranking foram responsáveis por praticamente 70% de todo o público da competição.

O Flamengo, com o aumento de capacidade no Maracanã, teve a maior média de público  da história, com quase 1,2 milhões de torcedores. Desde 2019 o Mengão leva mais de 1 milhão de torcedores aos seus jogos como mandante. Na média foram 8 mil torcedores a mais por jogo no Maracanã.

A excelente campanha do Cruzeiro fez o torcedor ir ao Mineirão como nunca antes. A média de público é o recorde da história , superando de longe a média do bicampeonato de 13/14. Corinthians permanece no Top 3 bem como o Bahia na quarta posição. Na média foram 9 mil torcedores a mais por jogo no Mineirão.

O Ceará voltou à Serie A e junto empolgou sua torcida, que também bateu o recorde do clube no Brasileirão, superando pela primeira vez a média de 30 mil/jogo.

Dentre as maiores quedas a principal foi do São Paulo que foi Top 3 desde 2023 e, ao mudar o mando de jogo para a Vila Belmiro nos últimos quatro jogos, teve um significativo impacto negativo na sua média, retornando a patamar de 2014. Mesmo antes de mudar o mando de jogo a média no Morumbi já era inferior e que está vindo neste viés desde 2022. Na média foram 12 mil torcedores a menos por jogo.

Além do São Paulo, a torcida do Fluminense, Atlético Mineiro e Fortaleza tiveram redução de cerca de 5 mil torcedores por jogo nas suas respectivas arenas.

Ao observar as médias de faturamento e ticket médio os dados constam na tabela abaixo demonstram as diferentes estratégias de precificação:

 

CLUBE

RENDA BRUTA

 RENDA LÍQUIDA

 TICKET MÉDIO

1

FLA

4.303.893,89

2.474.441,67

73,50

2

COR

2.846.301,18

1.607.918,61

71,28

3

PAL

2.509.509,53

1.662.183,31

71,83

4

CRU

2.366.303,26

1.964.992,76

58,93

5

VAS

1.631.393,97

738.915,57

75,98

6

SÃO

1.505.174,61

841.955,17

52,53

7

GRE

1.418.975,32

979.127,33

55,61

8

BAH

1.395.036,16

470.123,24

36,56

9

FLU

1.297.444,18

401.550,16

48,37

10

CAM

1.267.304,53

566.838,06

52,61

11

INT

1.149.408,14

794.728,57

47,17

12

SAN

1.132.103,42

446.000,71

66,55

13

BOT

816.826,53

-  92.336,17

55,29

14

CEA

720.707,68

241.737,72

20,77

15

SPO

705.624,21

324.459,55

50,44

16

VIT

585.089,21

149.197,31

26,42

17

FOR

583.234,47

183.027,19

22,10

18

JUV

457.195,37

325.819,91

56,72

19

MIR

390.941,47

195.049,29

62,19

20

RBB

183.912,89

-  56.511,36

37,41



Os oito primeiros do ranking foram responsáveis por 70% de toda a arrecadação.

Como nos últimos anos, Flamengo, Palmeiras e Corinthians permanecem no Top 3 com Cruzeiro e superando São Paulo e Atlético Mineiro no Top 5. A nova gestão do Maracanã reduziu custos e pela primeira vez superou o Palmeiras como a maior renda líquida da competição.

No outro extremo vemos Botafogo e Red Bull Bragantino com resultado negativo em termos de receita com bilheteria.

O Vasco vem subindo seu ticket médio a cada ano e em 2025 foi o maior ticket médio da competição. O Flamengo também adotou nova política de preços e pela primeira vez está entre os três maiores tickets médios da competição. Outro clube que também adotou um nova política de preços com aumento do ticket foi o Corinthians, que tem preços médios semelhantes ao Palmeiras, que tem mantido recorrentemente a liderança no ticket médio e foi o único clube do Top 3 que reduziu o ticket.

Para finalizar esta análise, as taxas de ocupação são as seguintes:

 

CLUBE

OCUPAÇÃO

1

PAL

85%

2

COR

81%

3

FLA

79%

4

BAH

78%

5

SAN

76%

6

VAS

75%

7

CRU

71%

8

VIT

64%

9

CAM

59%

10

CEA

57%

11

SÃO

52%

12

INT

49%

13

GRE

46%

14

SPO

45%

15

FOR

44%

16

MIR

42%

17

JUV

40%

18

RBB

39%

19

BOT

38%

20

FLU

37%


Corinthians e Palmeiras novamente estão entre os clubes que mais conseguem altas taxas de ocupação, bem acima dos 58% da média geral. Como demonstrado nos itens anteriores, o Flamengo pela primeira vez entra no Top 3. No total são nove clubes com ocupação acima da média. Por ouro lado Fluminense, Botafogo e Fortaleza, clubes com arenas com alta capacidade mas com baixa ocupação, acabaram puxando a média para baixo.

Como já detectado desde 2023, um fenômeno que está se consolidando é a presença de público independente da posição na tabela de classificação  e este é um dos motivos das médias de público terem se elevado nos últimos três anos. Arenas e estádios com maior capacidade estão com elevadas ocupação no geral.

Para 2026 talvez tenhamos uma queda nas médias pois Fortaleza e Ceará são dois clubes que estão entre as maiores médias dos últimos anos e não teremos o Clube dos Nove na próxima edição. Além disso o histórico estatístico das médias de Coritiba, Athletico e Remo são inferiores aos dois cearenses.

Outro ponto de observação será o comportamento do torcedor com o Brasileirão sendo disputado desde o final de janeiro em paralelo com os estaduais.

Baseado nas taxas de ocupação, para termos um novo salto de público, além do Clube dos Oito manterem as médias, é fundamental que as torcidas de Botafogo, Fluminense, São Paulo, Grêmio e Internacional aumentem o comparecimento aos seus jogos, 

Esta foi a primeira parte da análise e pretendo publicar em breve sobre os sócios torcedores.




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