Dando continuidade às publicações de final de temporada, após já ter publicado a análise de performance e análise de público e renda do Brasileirão 2025 , publico agora a análise da presença de sócios torcedores nos jogos do Brasileirão.
Como tenho mencionado há algum tempo, dois fatores estruturantes estão impactando diretamente no aumento de público no Brasileirão: as novas arenas, principalmente na atração de um novo perfil de torcedor aos jogos, e os planos de sócio torcedor. Sem essas duas variáveis seria improvável que estivéssemos verificando este fenômeno no futebol brasileiros.
Todos os dados foram coletados dos borderôs publicados no site da CBF. Foram considerados todos os planos de sócio torcedor mencionados nas publicações e também alguns clubes que mencionam apenas sócios. O único clube excluído da análise foi o Atlético Mineiro, que não discrimina sócios torcedores ou sócios nos borderôs.
A primeira tabela mostra os cinco diferentes níveis da porcentagem de sócios torcedores nos jogos do Brasileirão 2025 e a evolução total do número de sócios torcedores em relação ao público pagante desde 2022:
|
N Clubes |
2022 |
2023 |
2024 |
2025 |
|
> 80% |
3 |
2 |
2 |
0 |
|
70 a 80% |
1 |
2 |
1 |
0 |
|
60 a 70% |
2 |
0 |
2 |
4 |
|
50 a 60% |
2 |
5 |
3 |
1 |
|
< 50% |
11 |
10 |
11 |
14 |
|
% ST / Pagantes |
47% |
46% |
48% |
42% |
No geral houve uma queda de seis pontos percentuais, uma redução acentuada em comparação ao ano anterior. Em números absolutos os 3,9 milhões de sócios torcedores é semelhante a 2022. Houve um aumento de três clubes abaixo de 50% e, pela primeira vez desde 2022, nenhum clube com mais de 70%.
Dos quatro clubes que foram rebaixados em 2024, Athletico e Criciúma eram os dois clubes acima de 80% de sócios torcedores e impactou negativamente na edição deste ano. O Vitória, que teve 78% de sócios torcedores no ano passada, caiu um nível nesta edição.
Fortaleza, Botafogo e Vasco, que foram os clubes entre 50% e 60% de sócios no ano passado, caíram para o nível inferior em 2025.
Para deixar mais claro a análise segue abaixo a porcentagem de sócios torcedores em relação ao público pagante de 2025 e 2024 para avaliarmos as principais diferenças:
|
|
CLUBE |
% ST/PP 2024 |
% ST/PP 2025 |
|
1 |
MIR |
|
70% |
|
2 |
BAH |
63% |
69% |
|
3 |
VIT |
78% |
67% |
|
4 |
COR |
69% |
65% |
|
5 |
CEA |
|
56% |
|
6 |
BOT |
53% |
49% |
|
7 |
SAN |
48% |
|
|
8 |
RBB |
37% |
47% |
|
9 |
FOR |
60% |
41% |
|
10 |
PAL |
42% |
38% |
|
11 |
SPO |
|
37% |
|
12 |
INT |
45% |
36% |
|
13 |
VAS |
51% |
36% |
|
14 |
GRE |
48% |
36% |
|
15 |
FLU |
47% |
33% |
|
16 |
FLA |
30% |
28% |
|
17 |
SÃO |
26% |
24% |
|
18 |
CRU |
29% |
20% |
OBS: o Juventude foi desconsiderado da tabela acima pois sua porcentagem foi inferior a 1%.
Entre os quatro clubes com 60% a 70% o Mirassol foi o maior destaque, terminando como o clube que mais levou ST aos seus jogos em relação ao público pagante. Entre os outros três o destaque positivo foi o Bahia, que elevou em seis pontos a presença de ST. Os 500 mil torcedores do Sócio Esquadrão que foram à Casa de Apostas Arena Fonte Nova foi o maior da história.
Por outro lado o Vitória foi o clube com maior queda entre os quatro, com 11 pontos de redução, 65 mil ST a menos no Barradão. O Corinthians, que fez ajustes na sua base de sócios para evitar fraudes, teve como consequência uma queda de quatro pontos em comparação ao ano anterior. No total foram 75 mil Fiéis Torcedores que deixaram de frequentar a Neo Química Arena.
O Ceará, que teve a sexta melhor média de público total e pagante, foi o único clube entre 50% e 60% de ST. A empolgação do acesso levou o torcedor do Vozão em grande quantidade à Arena Castelão. Os 370 mil torcedores do Sócio Vozão foi o maior da história.
Entre os clubes abaixo de 50% a maior queda foi do Fortaleza, uma redução de 19 pontos em comparação ao ano anterior, 150 mil Sócios Torcedores a menos que 2024. Vasco da Gama, com queda de 15 pontos, seguido do Fluminense com 14 pontos, fecham a relação dos três clubes com as maiores quedas. No caso do Tricolor Carioca foi uma queda de 130 mil sócios. O Cruzeiro e os dois clubes gaúchos também tiveram quedas significativas. No caso do Internacional, foram 100 mil ST a menos que no Beira Rio.
O único clube que teve aumento da presença de sócios torcedores foi o Red Bull Bragantino, com 10 pontos percentuais a mais nesta edição.
Para finalizar a análise, vamos avaliar a relação entre porcentagem de sócios torcedores e a taxa de ocupação para verificar quais clubes estão mais ou menos dependentes dos seus sócios torcedores para uma boa presença de público nos seus jogos:
|
|
CLUBE |
OCUPAÇÃO |
% ST/PP |
GAP |
|
1 |
MIR |
42% |
70% |
28% |
|
2 |
BOT |
38% |
49% |
11% |
|
3 |
RBB |
39% |
47% |
9% |
|
4 |
VIT |
64% |
67% |
3% |
|
5 |
CEA |
57% |
56% |
-1% |
|
6 |
FLU |
37% |
33% |
-4% |
|
7 |
FOR |
44% |
40% |
-4% |
|
8 |
SPO |
45% |
37% |
-8% |
|
9 |
BAH |
78% |
69% |
-9% |
|
10 |
GRE |
46% |
36% |
-10% |
|
11 |
INT |
49% |
37% |
-12% |
|
12 |
COR |
81% |
65% |
-14% |
|
13 |
SAN |
76% |
48% |
-28% |
|
14 |
SÃO |
52% |
24% |
-28% |
|
15 |
VAS |
75% |
36% |
-39% |
|
16 |
PAL |
85% |
38% |
-47% |
|
17 |
FLA |
79% |
28% |
-51% |
|
18 |
CRU |
71% |
20% |
-52% |
Os GAPs positivos são os clubes onde a diferença entre a porcentagem de sócios torcedores é maior do que a taxa de ocupação.
O mais dependente: os dados demonstram que Mirassol foi disparado o clube mais dependente dos seus sócios torcedores para ter maior taxa de ocupação no Marião.
Os dependentes: Por terem um GA muito próximo entre taxa de ocupação e porcentagem de ST, Botafogo, Red Bull Bragantino, Vitória, Ceará, Fluminense e Fortaleza foram os clubes que também dependeram de forma substancial dos seus sócios torcedores para conseguirem maiores taxas de ocupação.
Os menos dependentes: neste grupo os dados mostram que Vasco, Palmeiras, Flamengo e Cruzeiro foram os clubes com menor dependência dos sócios torcedores. Em menor grau Corinthians, Santos e São Paulo também possuem menor dependência.
No relatório "Convocados" com as informações detalhadas de faturamento dos clubes em 2024 é possível tentar entender as diferentes estratégias dos clubes em relação a bilheteria e planos de sócio torcedor. Para os clubes é claro que um produto canibaliza o outro caso a principal estratégia do Plano de Sócio Torcedor seja levar público aos jogos.
Cruzeiro e Flamengo possuem porcentagem de receitas semelhantes entre os dois produtos. Cruzeiro tem a proporção de 38% de receitas com Sócios Torcedores e 62% com bilheteria. Já no Flamengo a proporção é 31% / 69%. Nesses dois clubes é possível inferir que ambos priorizaram a bilheteria como principal estratégia para taxa de ocupação.
Por outro lado, Palmeiras e Vasco possuem maiores receitas com os planos de Sócio Torcedor em relação à bilheteria e mesmo assim possuem GAP bastante negativo. O Verdão tem uma relação de 58%/42% e o Gigante da Colina 64%/ 36%. Nesses dois clubes é possível inferir que ambos utilizam seus respectivos planos de Sócio Torcedor como estratégia que vai além da taxa de ocupação.
Arenas e estádios com baixa taxa de ocupação acabam dificultando o aumento de receitas com Sócio Torcedor caso a prioridade seja elevar a taxa de ocupação, e um bom exemplo é do São Paulo. Já Internacional (82%), Grêmio (89%) e Fluminense (70%) , por serem clubes onde os sócios torcedores possuem direito a voto para presidente, são os clubes com maior porcentagem de receita com Sócios Torcedores em relação à bilheteria.
Os dados informados neste post podem servir como fonte de informação para análises dos profissionais de marketing dos clubes, gestores de planos de sócio torcedor e para a mídia especializada informar seu público com dados fundamentados.
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