O Brasileirão 2025 se encerrou em 7/12 com disputas bem acirradas até a última rodada. O título, apesar de matematicamente ter sido decidido na R37, já estava na mão do Flamengo após a R36. Por outro lado a disputa pela vaga direta para a fase de grupos da Libertadores bem como os dois clubes que seriam rebaixados foram decididos apenas na última rodada.
Antes de entrar nos detalhes da análise, segue abaixo o aproveitamento dos clubes no primeiro e no segundo turno:
CLUBE | %1T | % 2T |
FLA | 75% | 63% |
PAL | 68% | 65% |
CRU | 65% | 58% |
MIR | 56% | 61% |
FLU | 47% | 65% |
BOT | 54% | 56% |
BAH | 58% | 47% |
SÃO | 49% | 40% |
GRE | 37% | 49% |
RBB | 47% | 37% |
CAM | 49% | 35% |
SAN | 42% | 40% |
COR | 39% | 44% |
VAS | 33% | 46% |
VIT | 32% | 47% |
INT | 42% | 35% |
CEA | 39% | 37% |
FOR | 28% | 47% |
JUV | 30% | 32% |
SPO | 16% | 14% |
Entre os clubes do G6 Palmeiras e Botafogo foram os mais regulares nos dois turnos. O campeão Flamengo e o Cruzeiro foram os clubes com maiores quedas de aproveitamento. Por outro lado o Fluminense teve um desempenho muito superior no segundo turno, terminando empatado em pontos com o Palmeiras na liderança do returno. O Mirassol também teve melhor desempenho no returno.
Entre os clubes que vão disputar a pré Libertadores o Bahia acabou perdendo fôlego e ficou de fora da fase de grupos, já o Botafogo por pouco não conseguiu se classificar direto para a fase de grupos. Caso Fluminense ou Cruzeiro vençam a Copa do Brasil o São Paulo entrará na fase de pré Libertadores e o Fogão se classifica para a fase de grupos.
Entre os quatro rebaixados, Juventude e Sport tiveram aproveitamento de rebaixado nos dois turnos, o Fortaleza fez um segundo turno bem melhor, mas mesmo assim não foi suficiente para evitar o rebaixamento na última rodada. A maior surpresa foi o Ceará ter sido rebaixado, mas o Vozão fez apenas um ponto nos últimos cinco jogos e acabou se complicando.
Os dados demonstram como a regularidade nos dois turnos é muito importante num torneio de pontos corrido. Obviamente que quem faz um primeiro turno com baixo aproveitamento tem grande probabilidade de não mudar muito de posição no final da competição mesmo com melhoria significativa no returno. O mesmo serve para a situação inversa. Mesmo com queda no returno, um bom primeiro turno dificilmente vai afetar na classificação final.
Podemos chegar a conclusão que o primeiro turno é fundamental para a classificação final da competição. Grandes mudanças na tabela são exceção à regra.
Vamos aos dados finais de cada um dos grupos de disputa:
Campeão
Próximo ao histórico estatístico, o Flamengo chegou ao título com 69% de aproveitamento, acima do histórico de 67%.
Os 76 pontos do Palmeiras foi o melhor desempenho de um vice-campeão com 20 clubes. Com esta pontuação o Verdão seria campeão em todas as edições em comparação ao segundo colocado e seria campeão em sete edições onde o campeão fez menos que 76 pontos e empataria com os mesmos 76 pontos do Cruzeiro de 2013.
Seguem os indicadores finais que apontam o campeão:
1) Melhor visitante: Palmeiras (35 pontos)
2) Líder na rodada 29: Palmeiras
3) Melhor defesa: Flamengo (27 gols)
4) Campeão do primeiro turno: Flamengo
5) Melhor ataque: Flamengo (78 gols)
6) Vitórias: Flamengo e Palmeiras (23 vitórias)
7) Saldo de gols: Flamengo (51 gols)
8) Melhor mandante: Flamengo (47 pontos)
Dentre os oito quesitos o Flamengo foi melhor em seis, apenas não foi o melhor visitante nem era o líder na R29. Pela segunda vez o líder na R29 com mais de 59 pontos não foi o campeão. O Palmeiras repetiu o Botafogo de 2023 e não conseguiu manter a liderança faltando nove jogos para o término da competição.
Considerando as edições desde 2006, com 20 clubes participantes, o destaque da campanha do Flamengo foi o recorde de saldo de gols (51) superando a campanha do próprio Mengão em 2019 com 49 gols de saldo. Além disso os 78 gols feitos só foi inferior aos 86 gols do Mengão de 2019. Além desses dois destaques, os 27 gols sofridos coloca a campanha deste ano como a terceira melhor defesa de um campeão, apenas atrás do São Paulo de 2007 (19 gols) e do Palmeiras de 2018 (26 gols).
Pela sétima vez na história dos pontos corridos com 20 clubes o campeão brasileiro teve a melhor defesa e o melhor ataque. Cada vez mais se consolida o histórico que ser campeão como melhor defesa é o padrão mais repetido. Das últimas 20 edições, em sete edições o campeão teve a melhor defesa e em outras sete teve a melhor defesa e o melhor ataque.
G4
Todos os clubes do G4 atingiram aproveitamento superior a histórico estatístico de 55%, incluindo o Fluminense, que teve 56% e ficou na quinta colocação.
Como já projetado após a R30, Flamengo Palmeiras, Cruzeiro e Mirassol terminaram no G4 e, como o G4 virou G5, o Fluminense conseguiu a vaga, superando o Bahia, que era o clube com aproveitamento de 55% na R30 mas perdeu fôlego na reta final.
G6
Como previsto, três dos quatro clubes foram rebaixados. A arrancada do Vitória, somando 10 pontos nas últimas cinco rodadas e a derrocada do Ceará, que conseguiu apenas um empate nas mesmas cinco rodadas, fizeram com que o Vozão fosse o rebaixado mesmo sem estar no Z4 nas 37 rodadas.
Sport e Juventude entraram na R38 rebaixados Santos e Red Bull Bragantino escaparam na R37 e Ceará Fortaleza Vitória e Internacional disputaram a R38 com risco de rebaixamento.
O rebaixamento do Fortaleza, que parecia improvável pelo desempenho e pelo projeto esportivo dos últimos anos, demonstra que o Brasileirão é muito traiçoeiro e um primeiro turno ruim quase que condena um clube ao rebaixamento ao final da competição.
Por outro lado tivemos uma grata surpresa com o Mirassol, terminando na quarta colocação mesmo sendo um debutante na Série A. Parece que teremos um novo projeto esportivo que pode se consolidar Ainda será necessário alguns anos para se comprovar.
Entre as SAFs, Cruzeiro, Botafogo e Bahia terminaram no G6, o maior número de SAFs nas primeiras colocações. Sinal que esta tendência se consolide nos próximos anos?
Respostas que teremos nos próximos anos, que ainda poderá ter mudanças no cenário atual com a implementação do Fair Play Financeiro, que pode colocar clubes de grande torcida como papel de coadjuvante e clubes de menor torcida, mas com projetos esportivos melhor estruturados, como protagonistas.
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