As guerras culturais no futebol: Por que os fãs da geração Z estão forçando os clubes a repensar tudo
Excelente artigo no blog Gameplayer sobre as mudanças culturais devido ao comportamento da geração Z. O subtítulo da matéria complementa o impactante título: "O legado não vai te salvar por que o capital cultural é o futuro do futebol."
Clubes de futebol, marcas e agências estão se esforçando para entender o que está acontecendo com a nova geração de torcedores que parece não seguir as regras antigas. A realidade? A Geração Z não está abandonando o futebol; eles estão apenas rejeitando os modelos ultrapassados e desfasados nos quais os clubes se basearam por décadas. A lealdade tribal, a mentalidade do clube em primeiro lugar, a fidelidade cega, tudo está sendo substituído por algo mais fluido, mais digital e mais culturalmente consciente.
Os principais tópicos do post foram os seguintes:
Autenticidade acima do legado e o poder do capital cultural
Os torcedores mais jovens não são tão obcecados pela fidelidade ao clube para toda a vida; eles se importam com jogadores, histórias e cultura. A Geração Z torce por Vinícius Jr. com da mesma forma que torce por Raphinha, independentemente do clube em que jogam. Eles compram um uniforme do Venezia só porque é bonito e o ensaio fotográfico teve uma estética clean de torcedores locais fotogênicos com os quais se identificam. Eles torcem por um time não porque o pai torceu, mas porque fizeram algo provocativo, algo que fez as crianças conversarem e encenarem na escola, cantarem rap ou quererem comprar o moletom. E os clubes? Eles precisam reagir, e reagir rápido, porque já estão muito atrasados.
Clubes que antes se acomodaram nos louros do passado estão sendo forçados a repensar tudo. A Geração Z quer um clube com propósito, não apenas um negócio disfarçado de escudo. Propósito não se trata apenas de responsabilidade social; trata-se de criar momentos icônicos com os quais os fãs se conectam emocionalmente e lembram para o resto da vida.
Marcas de futebol, sejam clubes ou entidades comerciais, não devem ficar obcecadas em apenas produzir conteúdo consistente para o algoritmo o tempo todo. Isso é jogar o jogo curto. Pense em momentos de campanha mais longos e impactantes que criem um novo legado e deixem impressões duradouras nos torcedores.
Você já ouviu falar do Wassy, a propósito? Um torcedor japonês do Newcastle United assistiu ao time pela primeira vez em 2012 e diz que aquele jogo mudou sua vida. Um dos momentos decisivos que selou sua lealdade foi ver Alan Pardew dar uma cabeçada em um jogador do Hull City. Aquele momento, por mais bizarro que tenha sido, deixou uma impressão duradoura, provando que momentos icônicos, sejam eles caóticos, emocionantes ou históricos, criam novos torcedores e forjam conexões para a vida toda.
A primeira geração digital e a morte da torcida passiva
Estamos em uma era em que um garoto em Lagos pode se sentir tão conectado ao FC Barcelona quanto alguém que mora na Catalunha, ou um garoto da Macedônia que veste uma camisa de futebol nigeriana porque seu artista favorito a representou no videoclipe de sua música mais tocada no Spotify. Futebol não é mais apenas sobre o que acontece em um estádio.
Os torcedores mais jovens querem autenticidade e conseguem enxergar através de tentativas medíocres de relevância. Basta ver o quão ruim a colaboração de produtos Man City x Oasis fracassou. Vestir jogadores do City com camisetas e moletons do Oasis, colocá-los em um cenário frio atrás de uma câmera e esperar que a mágica acontecesse? Não aconteceu. Foi sem alma, um desperdício de tempo dos jogadores e não teve nenhuma visão criativa real. Não foi legal, não foi envolvente, e os torcedores mais jovens perceberam isso. Estéril, esquecível, caro. Capital cultural zero.
Já existem marcas e comunidades de nicho assumindo o controle. Seja Outlander, GAFFER, Dazed, Versus, Rising Ballers ou sua página de memes de futebol favorita, cada uma dessas plataformas tem sua própria comunidade única, uma estética específica ou uma voz distinta que molda o conteúdo e a própria plataforma.
Exemplos com a GAFFER, quem em 15 minutos vendeu todo estoque de uma da suas campanhas. Futebol x cultura não é apenas uma tendência, é um movimento. Os clubes e marcas que entendem isso não estão apenas vendendo uniformes; eles estão criando capital cultural.
Essas marcas entendem seus seguidores melhor do que a maioria das marcas e clubes, criando conteúdo que reflete como as pessoas realmente falam sobre futebol, moda e cultura, em vez de uma versão higienizada e voltada para o público corporativo.
Capital da cultura é o futuro do branding no futebol
Os clubes e marcas que vencerão nesta nova era não serão apenas aqueles que têm os melhores times ou os maiores orçamentos de marketing. Serão aqueles que entenderem como criar momentos com os quais as pessoas se importam. A próxima geração de torcedores de futebol quer clubes que os ouçam, respeitem suas opiniões e não os explorem apenas por uniformes e ingressos caros para jogos.
É por isso que a Nike perdeu o rumo. Você se lembra de algo remotamente memorável desde a campanha "Nothing Beats a Londoner" em 2018? Suas constantes mudanças estruturais e desafios bem documentados os fizeram perder participação de mercado e identidade de marca. Mas eles voltarão e momentos icônicos, narrativas autênticas e criativos e estéticos poderosos que nos deixam animados e apaixonados provavelmente fará com que os consumidores mais uma vez irão para a Nike Town gastando centenas de libras em um look novo da cabeça aos pés para a academia, o time de futebol americano ou o campo de golfe. Produção forte, narrativas de marca autênticas, mas lembre-se de criar alguns momentos icônicos e que movam a cultura. Capital cultural. Torne-o legal. Faça com que as pessoas ainda falem sobre isso daqui a alguns anos.
Reflexão Final: Adapte-se ou fique para trás
A Geração Z não está matando o futebol. Eles estão evoluindo. Eles estão trazendo criatividade para um mundo de caos, remodelando a cultura com novas ideias e novas perspectivas. Eles estão criando uma cultura do futebol mais inclusiva, mais digital e mais conectada do que nunca. Os clubes que entenderem isso, aqueles que investirem em cultura, tecnologia e comunidade, prosperarão. Os que não entenderem? Bem, eles enviarão mais e-mails direta ou indiretamente tentando desesperadamente descobrir como ser relevantes e por que sua base de fãs "leais" mudou.
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