Voltando do recesso e já com os estaduais começando retomo hoje as publicações.
No final de 2024 o blog do Rafael Reis publicou um post informando que o Brasileirão perde para a Argentina em média de público. De acordo com o blog o campeonato argentino está na sexta posição geral e o Brasileirão na oitava.
Com base nos dados coletados no site Transfermarkt e nos dados que eu coleto anualmente, as médias de público e as taxas de ocupação dos dois campeonatos terminados em dezembro de 2024 foram as seguintes:
|
País |
Média |
Ocupação |
Jogos |
|
Argentina |
27.666 |
71% |
378 |
|
Brasil |
26.838 |
61% |
376 |
OBS: No Brasileirão de 2024 tivemos 4 jogos disputados sem torcida.
Apesar do sistema de disputa da campeonato argentino ser em turno único, devido ao número de clubes no campeonato argentino ser maior que no Brasil (28 x 20), o total de jogos é praticamente o mesmo e isso facilita a comparação.
Com uma média de público 4% superior os argentinos conseguiram uma ocupação 10 pontos percentuais maior que os brasileiros e esta taxa de ocupação está no mesmo nível das principais ligas da Europa.
A maior média de público e a elevada taxa de ocupação estão concentradas em poucos clubes ou é algo disperso entre vários clubes argentinos?
Vejamos na tabela abaixo o comparativo das médias:
|
Clube |
Média |
Clube |
Média |
|
CA River Plate |
83.754 |
Flamengo |
54.447 |
|
CA Boca Juniors |
57.200 |
Corinthians |
43.605 |
|
CA Talleres |
52.108 |
São Paulo |
39.968 |
|
Racing Club |
42.867 |
Bahia |
36.022 |
|
CA Vélez Sarsfield |
42.269 |
Fluminense |
34.502 |
|
CA Newell's Old Boys |
41.708 |
Cruzeiro |
33.131 |
|
CA Rosario Central |
41.056 |
Atlético Mineiro |
32.849 |
|
CA San Lorenzo de Almagro |
39.781 |
Fortaleza |
31.934 |
|
CA Independiente |
37.749 |
Palmeiras |
31.455 |
|
Club Atlético Belgrano |
36.475 |
Internacional |
30.820 |
|
CA Huracán |
30.362 |
Athletico |
30.313 |
|
Club Estudiantes de La Plata |
30.254 |
Botafogo |
29.182 |
|
CA Unión (Santa Fe) |
29.741 |
Vitória |
23.249 |
|
Club Atlético Tucumán |
28.877 |
Vasco da Gama |
20.969 |
|
Gimnasia y Esgrima La Plata |
26.862 |
Grêmio |
20.345 |
|
CS Independiente Rivadavia |
21.658 |
Criciuma |
14.651 |
|
Instituto ACC |
20.835 |
Juventude |
8.692 |
|
CA Banfield |
20.106 |
Atlético Goianiense |
8.353 |
|
AA Argentinos Juniors |
16.331 |
Cuiabá |
7.537 |
|
Club Atlético Platense |
16.188 |
RB Bragantino |
5.987 |
|
Club Atlético Tigre |
15.909 |
|
|
|
Defensa y Justicia |
11.603 |
|
|
|
CA Lanús |
10.198 |
|
|
|
Godoy Cruz Antonio Tomba |
6.991 |
|
|
|
CA Sarmiento |
6.251 |
|
|
|
Central Córdoba |
3.073 |
|
|
|
Club Deportivo Riestra |
1.543 |
|
|
|
CA Barracas Central |
842 |
|
|
A primeira diferença está no River Plate. Os Millonarios não só conseguiram uma incrível média acima de 83 mil torcedores por jogo como é o clube com a maior média do mundo em 2024. No Brasil o Flamengo é o clube com maior média, mas com 54 mil torcedores.
Na faixa dos 50 mil o Boca Juniores e o Talleres de Córdoba são os destaques, com os Xeneizes com média superior a todos os clubes brasileiros. O Talleres de Córdoba, clube importante mas não de grande tradição de títulos, por muito pouco também não superou o Flamengo.
Entre 40 e 50 mil novamente os argentinos tem maior número de clubes 4 x 1, com destaque para os dois clubes de Rosário e suas fanáticas torcidas, além do Racing e do campeão Velez. Apenas na faixa entre 30 e 40 mil há uma maioria de brasileiros 9 x 5.
Na parte de baixo existem 5 clubes argentinos abaixo dos 10 mil enquanto contra 4 clubes brasileiros. Neste recorte o destaque negativo é o argentino Barracas Central, com menos de 1 mil torcedores por jogo.
Como comentado acima, a diferença maior está na média na taxa de ocupação, e neste quesito os hermanos dão um show:
|
Clube |
Ocupação |
Clube |
Ocupação |
|
CA Boca Juniors |
100% |
Corinthians |
92% |
|
CA Newell's Old Boys |
99% |
Palmeiras |
80% |
|
CA Unión (Santa Fe) |
99% |
Criciuma |
76% |
|
CA River Plate |
99% |
Bahia |
75% |
|
CA Rosario Central |
99% |
Atlético Mineiro |
72% |
|
Club Gimnasia y Esgrima La Plata |
97% |
Vasco da Gama |
72% |
|
Club Atlético Belgrano |
95% |
Athletico |
72% |
|
Club Estudiantes de La Plata |
93% |
Flamengo |
69% |
|
CA Talleres |
91% |
Internacional |
69% |
|
CS Independiente Rivadavia |
90% |
Vitória |
67% |
|
CA Independiente |
90% |
Cruzeiro |
61% |
|
CA Vélez Sarsfield |
85% |
Grêmio |
61% |
|
Racing Club |
83% |
Botafogo |
60% |
|
CA San Lorenzo de Almagro |
83% |
São Paulo |
57% |
|
Club Atlético Tucumán |
82% |
Atlético Goianiense |
56% |
|
Instituto ACC |
79% |
Fortaleza |
52% |
|
AA Argentinos Juniors |
74% |
Fluminense |
46% |
|
CA Huracán |
63% |
Juventude |
37% |
|
Club Atlético Tigre |
61% |
RB Bragantino |
35% |
|
Defensa y Justicia |
58% |
Cuiabá |
18% |
|
CA Banfield |
58% |
|
|
|
Club Deportivo Riestra |
51% |
|
|
|
Club Atlético Platense |
51% |
|
|
|
CA Sarmiento (Junin) |
28% |
|
|
|
CA Lanús |
23% |
|
|
|
CA Barracas Central |
19% |
|
|
|
CD Godoy Cruz Antonio Tomba |
18% |
|
|
|
Central Córdoba |
11% |
|
|
Não existe clube brasileiro com taxa de ocupação acima de 92%. Apenas o Corinthians tem ocupação acima de 90%, já entre os argentinos são 11 clubes, sendo 7 clubes acima de 95%.
Na faixa entre 80% e 90% são 3 argentinos contra 1 brasileiro. Entre 70% e 80% os brasileiros são a maioria com 5 clubes contra 2 argentinos.
No total são 17 clubes argentinos acima da média de 71% de ocupação enquanto no Brasil são 10 clubes acima da média de 61%.
Pelos dados apresentados não existe uma grande concentração de público em poucos clubes, mas um comportamento espalhado em grande parte dos clubes argentinos. Mesmo caso se repete no Brasil, onde também não há uma grande concentração em poucos clubes.
Os números acima demonstram que os clubes brasileiros tem potencial para aumentar a média principalmente devido a uma taxa de ocupação ainda abaixo dos padrões europeus, que é de 70% e esse deveria ser uma estratégia em conjunto de todos os clubes caso uma liga tivesse uma visão sistêmica dos desafios.
Na questão comportamental existe alguma diferença?
O jornalista Mauro César Pereira aponta isto nesta entrevista.
Será que a forma que o torcedor brasileiro se relaciona com seu clube é um fator impeditivo para esse novo salto?
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