Na semana passada foi divulgada mais uma pesquisa sobre as maiores torcidas do Brasil pelo Datafolha. A pesquisa foi efetuada com maiores de 16 anos em todas as regiões do Brasil.
Em linhas gerais os dados não trouxeram grandes surpresas, com Flamengo (19%) , Corinthians (14%), Palmeiras (7%) e São Paulo (6%) na liderança. Apesar das variações dentro da margem de erro, o Palmeiras aparece um ponto percentual a frente do São Paulo, ambos estavam com o mesmo percentual em 2023 e o Cruzeiro teve uma queda de um ponto percentual em relação a pesquisa de 2023.
Chama atenção que um quinto da população (23%) declarou não torcer para nenhum clube, percentual maior que os torcedores do Flamengo. Esse índice é mais alto entre as mulheres (33%) contra 12% entre os homens, e entre as pessoas acima de 60 anos (34%) contra 12% de quem tem entre 16 e 24 anos. A região Centro-Oeste é onde se concentra o maior número desses torcedores com 37% em comparação com a região Sudeste (21%).
Esses dados iniciais já demonstram quais públicos e regiões devem ter ações estratégicas distintas para aumentar ou fortalecer a base e também entender se é possível reduzir o número de brasileiros que não torcem para nenhum clube.
Um outro dado que a pesquisa trouxe é o número de torcedores por faixa de renda, conforme a tabela abaixo:
|
Clube |
Até 1 SM |
1 a 2 SM |
2 a 3 SM |
3 a 5 SM |
5 a 10 SM |
10 a 20 SM |
20 a 50 SM |
Acima 50 SM |
|
Flamengo |
32% |
27% |
19% |
12% |
4% |
2% |
0% |
0% |
|
Corinthians |
18% |
28% |
21% |
20% |
5% |
3% |
1% |
1% |
|
Palmeiras |
26% |
22% |
23% |
14% |
10% |
3% |
0% |
0% |
|
São
Paulo |
17% |
23% |
20% |
27% |
8% |
3% |
0% |
1% |
|
Vasco da
Gama |
32% |
28% |
18% |
12% |
3% |
4% |
1% |
0% |
|
Grêmio |
12% |
29% |
28% |
24% |
4% |
2% |
0% |
0% |
|
Cruzeiro |
23% |
18% |
25% |
18% |
13% |
0% |
0% |
0% |
|
Internacional |
22% |
27% |
18% |
18% |
10% |
0% |
2% |
0% |
|
Santos |
20% |
13% |
21% |
15% |
12% |
7% |
4% |
0% |
|
Atlético
Mineiro |
12% |
18% |
20% |
27% |
11% |
7% |
3% |
0% |
|
Bahia |
31% |
25% |
16% |
12% |
5% |
0% |
0% |
0% |
|
Fluminense |
4% |
16% |
27% |
19% |
25% |
5% |
0% |
0% |
|
Botafogo |
27% |
18% |
11% |
24% |
16% |
0% |
2% |
0% |
|
Fortaleza |
28% |
22% |
32% |
9% |
16% |
0% |
0% |
0% |
|
Sport |
42% |
25% |
14% |
5% |
0% |
0% |
0% |
% |
Fonte: ge.globo.com
O Vasco da Gama possui maior concentração de torcedores nas camadas mais pobres, com 60% dos seus torcedores recebendo até dois salários mínimos. O Flamengo vem em segundo com 59% dos torcedores e o Bahia vem em seguida com 56%. O Sport é o clube com mais torcedores que recebem até um salário mínimo (42%) e Corinthians e Vasco empatam entre as torcidas que ganham entre um e dois salários mínimos com 28% cada.
Na outra ponta o Fluminense, de forma disparada, possui maior concentração de torcedores que recebem entre 5 a 10 salários (25%) somado com os 5% que ganham entre 10 e 20 salários mínimos. Nesse recorte, a torcida do Santos (19%) e Atlético Mineiro (18%) são as torcidas com maior maior número de torcedores com maior poder aquisitivo após o Fluminense.
As faixas de renda com maior probabilidade de gastar com entretenimento, onde o futebol está incluso, podem ser recortadas a partir dos 3 salários mínimos, mas, quanto maior a renda maior a disponibilidade financeira para maiores gastos com entretenimento. É muito provável que os maiores consumidores de produtos oficiais, ingressos, planos de sócio torcedor, assinatura de TV a Cabo, Streaming e PPV estão nessa faixa de renda.
Como a grande massa salarial do país se concentra até 10 salários mínimos, o ranking abaixo demonstra quais são os clubes com maior concentração de torcedores nessas faixas:
|
Clube |
3 a 10
SM |
|
Fluminense |
44% |
|
Botafogo |
40% |
|
Atlético
Mineiro |
38% |
|
São
Paulo |
35% |
|
Cruzeiro |
31% |
|
Internacional |
28% |
|
Grêmio |
28% |
|
Santos |
27% |
|
Corinthians |
25% |
|
Fortaleza |
25% |
|
Palmeiras |
24% |
|
Bahia |
17% |
|
Flamengo |
16% |
|
Vasco da
Gama |
15% |
|
Sport |
5% |
Podemos observar que existe um potencial de torcedores proporcionalmente com maior potencial de consumo na torcida do Fluminense, Botafogo, Atlético Mineiro, São Paulo e Cruzeiro. Com exceção do São Paulo, os quatro clubes possuem cerca de 1,2 a 1,5 milhões de torcedores nessa faixa de renda. O mesmo número potencial nas torcidas do Internacional, Grêmio e Santos. Os departamentos de marketing e comercial desses clubes deveriam saber quem são esses torcedores e procurar entender o que e como atrair esse perfil de torcedor para sua base de dados.
O Corinthians, pelo tamanho da sua torcida e pelo percentual de torcedores dentro desta faixa de renda, é o clube com maior potencial de crescimento se for bem estudado, pois são cerca de 5,7 milhões de torcedores.
Apesar do Flamengo aparecer neste ranking com "apenas" 16% da sua torcida, no prática esse número representa cerca de 4,9 milhões de torcedores, o total de torcedores de grande maioria dos clubes brasileiros, apenas inferior aos 5 primeiros.
Por estarem entre as quatro maiores torcidas do país, São Paulo e Palmeiras possuem nessa faixa de renda 3,4 milhões e 2,7 milhões respectivamente, e também deveriam saber como aumentar seu faturamento caso consigam efetuar um bom estudo.
Como cerca de 75% dos trabalhadores brasileiros ganham até 3 salários mínimos segue abaixo ranking desta faixa de renda:
|
Clube |
1 a 3 SM |
|
Fortaleza |
82% |
|
Sport |
81% |
|
Flamengo |
78% |
|
Vasco da
Gama |
78% |
|
Bahia |
72% |
|
Palmeiras |
71% |
|
Grêmio |
69% |
|
Corinthians |
67% |
|
Internacional |
67% |
|
Cruzeiro |
66% |
|
São
Paulo |
60% |
|
Botafogo |
56% |
|
Santos |
54% |
|
Atlético
Mineiro |
50% |
|
Fluminense |
47% |
O desafio de todos os clubes brasileiros é como conseguir gerar mais receita com essa grande faixa da população nacional que muitas vezes consomem produtos do clube por vias não oficiais e que, com um bom entendimento dos seus comportamentos, também podem fazer parte efetiva da base de dados e de pertencimento através de uma parte dos ingressos com preços populares, planos de sócio torcedor com baixo valor de mensalidade, produtos oficiais com preços acessíveis entre outros.
Esse cenário é ainda mais desafiador para Fortaleza, Sport, Vasco da Gama e Bahia que possuem maior concentração de torcedores nesta faixa de renda, mas os demais clubes não podem deixar de lado essa gigante massa, que gera muito engajamento nas redes sociais, audiência na TV aberta, valor da marca para patrocinadores e parceiros comercias.
As oportunidades para coletar dados e transformá-los em informação relevante para definir personas para diferentes jornadas de consumo, clusters de comportamento, entender os valores e atributos de cada perfil de torcedor nunca estiveram tão disponíveis para os profissionais de marketing esportivo. Basta compreender que existe muito valor no mercado para ser gerado e explorado pelos clubes brasileiros e suas gigantes torcidas.
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