Brasileirão 2024: Análise de público e renda no primeiro turno

 

    Foto: Paula Reis / Flamengo

Após 3 meses e meio chegamos ao final do primeiro turno do Brasileirão. A edição deste ano teve um evento atípico devido à catástrofe das enchentes no Rio Grande do Sul, o que causou uma parada de duas semanas na competição e com vários jogos dos clubes gaúchos adiados. Devido a esta situação o primeiro turno termina com 12 jogos a serem disputados e apenas 7 clubes com 19 jogos disputados.

Além deste evento tivemos 9 rodadas sendo disputadas em paralelo com a Copa América, que desfalcou vários clubes. Apesar desses percalços o primeiro turno termina com a segunda melhor média de público da história do Brasileirão, apenas inferior ao ano passado. As médias são as seguintes:

Público presente: 25.328 (11% inferior ao primeiro turno de 2023)

Público pagante: 24.363 (10% inferior ao primeiro turno de 2023)

Renda bruta: R$ 1,297 mi (6% inferior ao primeiro turno de 2023)

Renda líquida: R$ 665 mi (10% inferior ao primeiro turno de 2023)

Taxa de ocupação: 59% (3% inferior ao primeiro turno de 2023)

Ticket médio: R$ 53,23 (4% superior ao primeiro turno de 2023)

Abrindo mais os números, seguem abaixo informações complementar por cada clube. Os dados foram coletados dos borderôs oficiais no site da CBF.

1) Média:  Público Total

CLUBE

PÚBLICO TOTAL

Flamengo

54.363

São Paulo

43.856

Corinthians

42.147

Bahia

37.240

Atlético Mineiro

33.841

Palmeiras

30.928

Cruzeiro

30.557

Fluminense

29.588

Athletico

28.017

Internacional

24.152

Fortaleza

23.906

Botafogo

21.903

Vitória

21.258

Vasco da Gama

19.358

Grêmio

14.443

Criciúma

13.724

Atlético GO

11.468

Juventude

9.510

Cuiabá

6.991

RB Bragantino

5.536

Como acontece desde 2018, o Flamengo é o líder na média de público e o grande responsável pelas altas médias dos últimos anos. Nos últimos três anos 10% do público total são de flamenguistas.

São Paulo, Corinthians, Bahia e Atlético Mineiro completam o top 5. Os 4 primeiros são os mesmos de 2023, o Galo, principalmente devido a Arena MRV, tomou a posição do Fortaleza no top 5.acontec

2) Média: Renda Bruta (R$ milhões)

CLUBE

RENDA BRUTA

Flamengo

3,281

Corinthians

2,550

Palmeiras

2,542

São Paulo

2,507

Atlético Mineiro

1,944

Fluminense

1,408

Athletico

1,266

Bahia

1,257

Cruzeiro

1,247

Internacional

1,205

Botafogo

1,037

Vasco da Gama

1,016

Grêmio

0,957

Atlético GO

0,819

Juventude

0,704

Vitória

0,568

Criciúma

0,557

Fortaleza

0,317

Cuiabá

0,268

RB Bragantino

0,239

Como na média de público total, o Flamengo lidera em termos de renda bruta, aproveitando o grande potencial de mandar jogos no Maracanã. O top 5 de renda bruta é praticamente o mesmo, só com uma alteração, com o Palmeiras substituindo o Bahia. 

3) Média: Renda líquida (R$ milhões)

CLUBE

 RENDA LÍQUIDA

Palmeiras

1,770

São Paulo

1,677

Corinthians

1,601

Atlético Mineiro

1,339

Flamengo

1,208

Athletico

0,971

Internacional

0,911

Cruzeiro

0,667

Atlético GO

0,658

Bahia

0,594

Grêmio

0,590

Juventude

0,500

Vasco da Gama

0,265

Vitória

0,210

Fluminense

0,108

Cuiabá

0,090

Botafogo

0,087

RB Bragantino

0,057

Fortaleza

0,010

Criciúma

-0,073

Como na renda bruta, o top 5 é o mesmo, mas Palmeiras, São Paulo, Corinthians e Atlético Mineiro superando o Flamengo em rentabilidade. Os custos e as taxas de jogar no Maracanã (63%) são o dobro do que o Trio de Ferro e do Galo (30%) em seus respectivos estádios e arenas.

Fluminense, Cuiabá, Botafogo, RB Bragantino e Fortaleza tiveram receitas líquidas muito baixas com bilheteria e o Criciúma teve até prejuízo.

4) Taxa de Ocupação

CLUBE

TX DE OCUPAÇÃO

Corinthians

89%

Palmeiras

79%

Bahia

78%

Atlético Mineiro

75%

Internacional

73%

Criciúma

71%

Atlético GO

70%

Flamengo

70%

Atlhetico

70%

Vasco da Gama

66%

Vitória

62%

São Paulo

61%

Cruzeiro

56%

Botafogo

49%

Grêmio

47%

Fluminense

43%

Fortaleza

42%

Juventude

33%

RB Bragantino

33%

Cuiabá

18%


Os números mostram que os quatro primeiros do ranking são clubes com as arenas com capacidade entre 40 e 50 mil torcedores e são os que estão conseguindo maior taxa de ocupação. O Internacional conseguiu boas taxas de ocupação, mesmo mandando jogos em Barueri e Criciúma. Em seguida observamos Criciúma e Atlético Goianiense, clubes com estádios abaixo de 20 mil. 

Flamengo e São Paulo, que jogam em estádios com capacidade acima de 70 mil, demonstram os desafios de como obter altas taxas de ocupação mesmo com as maiores médias de público.

5) Ticket Médio


CLUBE

TICKET MÉDIO

Palmeiras

        82,21

Atlético GO

        81,88

Juventude

        74,44

Grêmio

        66,29

Flamengo

        64,05

Atlético Mineiro

        63,63

Corinthians

        60,51

São Paulo

        57,18

Vasco da Gama

        55,84

Botafogo

        53,70

Fluminense

        51,11

Internacional

        49,91

Cuiabá

        46,04

Cruzeiro

        45,42

Athletico

        45,19

RB Bragantino

        43,16

Criciúma

        43,00

Bahia

        33,76

Vitória

        26,75

Fortaleza

        13,65

Novamente o Palmeiras lidera o ranking com uma política de precificação bem clara e consistente. Atlético Goianiense e Juventude aparecem no top 3 do ranking. O Dragão tem uma alta precificação quando recebe clubes do Rio de Janeiro e São Paulo, já o Juventude aparece na terceira posição devido aos dois jogos como mandante realizados no Mané Garrincha, com ticket médio de R$ 110,00.

Ao analisar as tabelas de público e renda e comparar com as tabelas de taxa de ocupação e ticket médio é possível verificar as diferentes estratégias de precificação de cada clube e os resultados de renda líquida de cada estratégia.

Também podemos observar quais clubes estão no topo do ranking das médias pelo desempenho juntamente com uma média histórica elevada nos últimos anos como Flamengo, São Paulo, Palmeiras e Bahia, e aqueles que, mesmo com resultados frustrantes como Corinthians e Atlético Mineiro, e que mantém elevadas médias, mostrando a resiliência dos seus torcedores.

No final do segundo turno veremos quais torcidas se mantiveram leais mesmo com oscilações de desempenho e quais diminuíram a presença.

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