No final de 2023 a IMG publicou um material com as sete principais tendências digitais para o segmento esportivo. Fiz um breve resumo de cada tendência para se ter uma ideia geral:
1) Web3 em queda, Machine Learning em alta
No longo prazo as experiências imersivas realmente transformarão a forma como consumimos e participamos dos eventos esportivos, mas esse impacto não será sentido totalmente em 2024. Computação espacial e desenvolvimentos de realidade mista oferecerão oportunidades de transmissão em 360 graus, permitindo que os torcedores se sintam como parte do jogo, independentemente de sua localização física.
Em 2024 machine learning será a a área que terá um impacto mais profundo e imediato nas organizações esportivas, principalmente na criação de conteúdo, atendimento ao cliente e análises preditivas que irão melhorar iniciativas de vendas e marketing.
2) Inteligência artificial
Em 2024 as organizações esportivas terão uma ideia mais clara de como usar a IA para cortar (desbloquear eficiências em seus processos), criar (desenvolver novos e formatos de conteúdo inovadores e campanhas de marketing) e cultivar (identificar novos oportunidades comerciais em grandes conjuntos de dados).
Os primeiros casos de utilização da IA serão para melhorar a conversão de venda de ingressos e vendas do varejo por meio de uma melhor segmentação de usuários. As organizações esportivas procurarão reduzir o churn em serviços de streaming e planos de associados com uma melhor otimização dos preços através de uma uma análise preditiva muito mais profunda.
Eles também treinarão modelos de IA em conteúdo de dados para maximizar o investimento na produção de conteúdo, garantindo que eles criem mais do que os usuários valorizam e menos do que eles não valorizam. Clubes e equipamentos esportivos aproveitarão chatbots para fazer grande parte do trabalho pesado de suas equipes de atendimento ao cliente.
3) Pare de dizer 'mídia social'
O termo “mídia social” há muito tempo significa coisas diferentes para pessoas diferentes, enquanto um número e variedade cada vez maiores de plataformas são criadas. Neste contexto, a expressão “mídia social” tornou-se inútil, enganosa e sugestiva de uma abordagem antiquada para publicação digital.
Ao retirar a ênfase do aspecto social, as organizações esportivas podem e irão reavaliar como distribuirão conteúdo e mensagens em 2024. O mix de canais será guiado pelas respostas para perguntas como:
- Quais são os objetivos chaves relacionado ao envolvimento dos fãs?
- Quem são os públicos que estão tentando alcançar?
- Quais formatos de mídia são mais importantes para a estratégia de marketing digital?
Em 2024 veremos organizações esportivas saindo fora das plataformas onde haviam anteriormente investido muito tempo e atenção. As plataformas tradicionais passaram por mudanças significativas que mudou a proposta de valor para as organizações esportivas e é hora de reavaliar se permanecem valiosos ou não.
Ao considerar a presença da plataforma e a importância de cada uma, considere os quatro pilares de acordo com os objetivos:
Atualizações: WhatsApp, X, Telegram, Instagram
Entretenimento: Spotfy, TikTok, YouTube, Snapchat, Instragram
Geração de receita: YouTube, Facebook, Twitch, X, Snaptchat
Criar comunidade: Discord, Reddit, Patreon, Substack, Twitch
4) O esporte feminino monetizado através do digital
2023 proporcionou audiência recorde no esporte feminino, especificamente futebol, basquete, golfe, tênis e críquete. A final do basquete feminino da NCAA foi o jogo mais assistido da história do basquete universitário, chegando a 12,6 milhões de telespectadores.
Na era digital todos os esportes continuaram uma jornada desde o alcance (crescendo o público global), ao envolvimento (aprofundando o relacionamento e audiência) e à monetização (alcançar retorno do investimento). Em 2024 veremos os primeiros sinais de que o esporte feminino irá passar por este ciclo com crescimento mais rápido do que o masculino.
Também veremos detentores de direitos começarem a valorizar o esporte feminino separadamente. Até agora os detentores de direitos muitas vezes tratavam os esportes femininos como um complemento gratuito, mas já estamos vendo evidências de que eles estão começando a ver os benefícios comerciais para ir atrás do mesmo acesso pago que o esporte masculino costuma ter.
5) Estádios e arenas vão ficar mais inteligentes
A tendência para os “estádios inteligentes” está sendo impulsionada por tecnologias que melhoram a experiência do torcedor e agregam valor aos estádios e arenas.
Com preços mais baixos e melhor conectividade os fãs agora podem ficar perfeitamente conectados e as organizações esportivas podem ter muitas vantagens como redução de custos, maior receita e conexões mais profundas com os fãs entre outros.
Isto só acontecerá se os proprietários investirem na infraestrutura tecnológica certa, incluindo armazenamento de dados escalável e CRM aliado a estratégia de envolvimento dos fãs, que faz com que os grandes volumes de dados recém-adquiridos sejam úteis. As vendas nos estádios e arenas serão melhoradas através transações cashless e melhor compreensão do comportamento do consumidor.
Estádios inteligentes ajudarão as organizações esportivas a serem mais assertivas na proposta de valor de patrocínios, permitindo a criação de ações de publicidade mais direcionadas para as marcas.
6) Personalização
As forças motrizes por trás desta tendência vêm das mudanças nas necessidades das novas gerações. Todo o segmento esportivo se preocupa com o envelhecimento do público nos estádios e na TV, e a escala de atrações que concorrem pela atenção da Geração Z é bem compreendido.
Uma expectativa de serviços personalizados é algo que já é considerado comum para qualquer pessoa nascida neste século. Recomendações algorítmicas ou um feed intitulado ‘Para você’ é algo natural em redes sociais e plataformas de música, filmes e games da Geração Z. Isso se tornou padrão para essa geração e é com este tipo de personalização que o esporte está competindo. Qualquer produto ofertado pelas organizações esportivas que não estiver neste nível de sofisticação será visto como fora do padrão.
Utilizar softwares para conectar o ecossistema de dados (site, app, serviço de OTT entre outros) visando atender as expectativas de um usuário base e terá grande impacto em novas conversões. Com essa tecnologia já disponível é possível definir diferentes fan IDs e personas com diferentes jornadas de consumo visando a personalização das experiências e oferta de produtos e serviços dos fãs. A maioria das organizações esportivas ainda não está nesse nível, mas deverão ser uma das áreas com maiores investimentos em 2024.
7) A ascensão dos mega influenciadores
Em 2023 vimos Cristiano Ronaldo ingressar na Saudi Pro League, Lionel Messi muda para MLS e Taylor Swift começar a namorar o jogador do Kansas City Chiefs, Travis Kelce. Esses eventos aparentemente não relacionados foram todos equivalentes a maremotos em suas respectivas ligas, criando um burburinho, atraindo novos fãs e gerando oportunidades de crescimento.
As organizações esportivas estão percebendo que precisam ir além das quatro linhas e se tornar parte da vida cotidiana das pessoas. Em última análise, uma comunidade é construída por pessoas que se identificam com valores semelhantes, sejam morais ou materiais.
Em esportes e moda, uma marca é sobre como as pessoas ou fãs se sentem em relação às marcas, os valores que representam e como sua estética se encaixa na vida dos fãs. As organizações esportivas precisam tirar vantagem de qualquer ponto de entrada inicial que ajude a ampliar sua base de fãs, mesmo que isso signifique que seu boné se torna mais famoso do que sua equipe.
Em 2024 as organizações esportivas precisarão reavaliar quem ou o que é esse ponto de entrada para o fandom e que tipos de parcerias de longo prazo realmente moverá a agulha a seu favor. Eles precisam começar definindo quem desejam atingir e saber qual resultado eles querem de qualquer parceria. Só isso lhes permitirá encontrar os parceiros certos para ajudá-los a alcançar esses objetivos, sejam celebridades, investidores, músicos, jogadores ou outras organizações.
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