Na semana passada saiu a nova edição do tradicional relatório Football Money League da Delloite com os dados de faturamento dos 20 principais clubes europeus. Ao comparar com os dados dos 20 principais clubes brasileiros, a porcentagem média de cada linha de receita de faturamento é o seguinte:
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Cotas de TV |
Matchday |
Comercial |
|
|
Europa |
40% |
18% |
42% |
|
Brasil |
54% |
20% |
26% |
Cotas de TV: Direitos de Transmissão + Premiações (Copas + Classificação Liga)
Matchday: Bilheteria + Sócio Torcedor + Season Ticket + Alimentação e Bebidas + Estacionamento
Comercial: Patrocínio + Receitas com estádio fora dos dias de jogo + Licenciamento + Lojas Oficiais
Com os dados acima é possível observar que a principal linha de receita dos clubes europeus é o Comercial, mas apenas 2 pontos percentuais acima das Cotas de TV. Já os brasileiros possuem uma grande dependência das Cotas de TV com a linha Comercial 40% abaixo dos europeus. Na linha de Matchday temos um empate técnico entre os europeus e brasileiros.
No valor total o faturamento dos europeus 10,5 bilhões de euros, já os brasileiros faturaram 1,0 bilhão de euros, uma diferença de 10 vezes. Sabemos das diferenças das do valor do real em relação ao euro, mas um faturamento 10 vezes menor é algo a ser questionado se não há um potencial desperdiçado devido algumas questões estruturais do futebol brasileiro.
Ao se comparar os três principais clubes da Europa e do Brasil, a porcentagem de cada linha de receita é a seguinte:
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Cotas de TV |
Matchday |
Comercial |
|
|
Real Madrid |
37% |
15% |
48% |
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Manchester City |
42% |
10% |
48% |
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PSG |
31% |
19% |
50% |
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Flamengo |
51% |
21% |
28% |
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Palmeiras |
50% |
20% |
30% |
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Corinthians |
54% |
22% |
24% |
Novamente podemos observar as mesmas diferenças encontradas nos faturamentos acumulados. Os três principais clubes europeus possuem como maior fonte de receita a linha Comercial, bem superior às Cotas de TV. Os clubes brasileiros possuem as Cotas de TV como principal linha de receita, muito superior às outras duas linhas de receita.
O clube europeu que teve uma distribuição de receitas similar aos brasileiros foi o Atletico de Madrid, o décimo quinto do ranking, com 50% das receitas com Cotas de TV, 17% com Matchday e 33% com Comercial. O clube espanhol teve uma queda de 3 posições no ranking devido eliminação precoce na Champions League.
Os clubes europeus abaixo do décimo terceiro do ranking são os que mais assemelham ao perfil dos clubes brasileiros, com maior dependência das Cotas de TV no faturamento, demonstrando o grande desafio de qualquer organização esportiva de se manter com faturamento elevado mesmo sem premiações das Copas.
O relatório enfatiza a importância dos clubes diversificarem as fontes de receitas da linha Comercial para garantir que os seus orçamentos sejam protegidos contra resultados em campo inferiores aos esperados.
Para clubes de médio e pequeno porte sabemos que há uma limitação devido ao tamanho das torcidas e possível limitação de exposição de marca, já para os clubes grandes é necessário que haja uma provocação para entender quais os potenciais pouco ou nada explorados na linha de receita Comercial.
O mais básico são os patrocinadores. Os clubes brasileiros acabam limitando os patrocínios por exposição da marca, mas há muitas outras formas de atrair parceiros comerciais além da exposição e que são pouco explorados. Outras propriedades como as plataformas digitais, aplicativos, canais de OTT também poderia atrair diferentes patrocinadores. Explorar canais pagos nas plataformas digitais ou via aplicativo é uma outra forma de aumentar receitas.
Clubes com Real Madrid e Barcelona tiveram como parte significativa do incremento de receitas as vendas de produtos em suas lojas oficiais. Recentemente o Barcelona mudou a estratégia e internalizou toda a rede de lojas como uma fonte de receita direta e não mais através de terceiros. Plataformas de market place para vendas on line também pode ser uma ótima oportunidade de alcançar novos mercados.
Os dados acima demonstram que os clubes brasileiros ainda precisam ter uma estratégia clara para a linha de receita Comercial para além do patrocínio e para isso é necessário profissionais capacitados para a atividade, visando classificar e entender os diferentes perfis de torcedores e criar produtos específicos para cada cluster como um comunicação clara e segmentada.
Desta forma é provável que a linha de receita Comercial possa ter um incremento e aos poucos seja possível minimizar a dependência dos resultados esportivos.
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