A temporada de 2024 do futebol brasileiro já começou, em pleno alto verão de janeiro e com apenas duas semanas de pré-temporada, no mínimo duas semanas a menos do que as cinco principais ligas da Europa. Quando falamos de qualidade do espetáculo, um parte da diferença começa na pré-temporada.
Ao vermos alguns clubes como Flamengo e Vasco, que vão jogar dois jogos dos estaduais com time reserva enquanto a equipe principal de ambos os clubes estarão realizando amistosos de pré-temporada no exterior, já é possível notar que para esses clubes a pré-temporada ainda não terminou. Expor a marca em outras regiões e arrecadar com a pré-temporada também é uma oportunidade que os clubes brasileiros não conseguem aproveitar.
Os atletas da equipe principal do Fluminense, devido aos jogos do Mundial da Fifa, ainda estão de férias e os primeiros jogos do estadual serão disputados com equipe reserva. Portanto o Tricolor Carioca ainda irá realizar a pré-temporada. Dos quatro grandes cariocas, apenas o Botafogo está jogando as partidas com a equipe principal.
Quando se fala dos estaduais, que não podem ser extintos devido a sua importância, os fatos acima citados demonstram como alguns clubes grandes importantes estão lidando com os estaduais.
Ao se analisar pelo lado financeiro, com exceção do Campeonato Paulista, que ainda paga altas cotas para os quatro grandes (R$ 40 milhões/ clube) e uma cota muito boa para os demais clubes (R$ 8 milhões/clube), os demais estaduais estão bem distantes dos valores dos paulistas.
Quando se observa as preferências dos torcedores, os estaduais são os que tem a menor preferência, ficando atrás da Copa do Brasil, Brasileirão Série A e Libertadores. Efetuamos um projeto de melhoria do calendário e como parte do estudo fizemos uma pesquisa com gestores do futebol brasileiro e os estaduais receberam nota 1 numa escala de 1 a 5, onde cinco era a nota máxima.
Com o fim do atual contrato de TV do Brasileirão em 2024 e do Paulista em 2025, além do movimento dos clubes em criar uma liga para organizar os campeonatos nacionais da série A e B, estamos vendo que essa é uma grande janela de oportunidade para reposicionar e redimensionar os estaduais dentro do calendário, sem a necessidade de extingui-los, mas buscando uma otimização, valorizando as competições que possuem maior preferência pelos torcedores e público em geral.
Ideias e sugestões não faltam, o mais importante é que haja vontade política e que, com a criação da liga unificada, os clubes comecem a rever e questionar o atual calendário, visando uma melhoria do produto futebol brasileiro, com os campeonatos nacionais sendo disputados de fevereiro a dezembro e reposicionando os estaduais com menos datas e com jogos no meio de semana e as finais num final de semana.
Brasileirão durante toda a temporada e menos datas para os estaduais é outra diferença que distancia a qualidade dos jogos dos clubes brasileiros com dos europeus, além de um possível incremento das receitas com direitos de transmissão nacional e internacional, atrair novos patrocinadores tanto para o digital como off line e incremento do matchday.
Por outro lado a CBF poderia criar a quinta divisão, com 27 sub divisões estaduais com jogos durante toda a temporada, além de valorizar as séries C e D visando maior atratividade para os torcedores e para as transmissões.
Chegou a hora de começar a ter um debate mais intenso sobre o tema e 2024 é uma grande janela de oportunidade
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