Cases de propósito como estratégia em clubes de futebol


No início da semana o César Grafietti publicou um post referente às oportunidades de negócio visando entretenimento, aumento da base de fãs e relacionamento como estratégia além das quatro linhas.

No artigo ele cita dois cases interessantes dos clubes italianos Venezia e Como. O Venezia está atualmente em último lugar da Série A . O clube voltou para a elite após 19 anos e está pelo segundo ano na primeira divisão, mas corre risco de voltar para a Série B nesta temporada, pois está na última colocação. 

Independentemente dos resultados esportivos a estratégia fora das quatro linhas é focar nos turistas que frequentam a cidade durante todo o ano, tendo como estratégia divulgar sua marca para estrangeiros que frequentam a região do Vêneto. Para chegar ao estádio os torcedores precisam utilizar barcos, gôndolas. Pacotes para ver as partidas são vendidos para turistas interessados e os uniformes têm design pensado não apenas para o torcedor, mas para o turista que enxerga além do óbvio: uma camisa para usar sempre.

O lago de Como costuma ser tomado por americanos no verão, e o Como busca resgatar um tempo em que o futebol era parte da cidade, como parte de um ecossistema em que o turista vai ao lago, visita Bellagio e ainda vê uma partida de futebol.

Seguindo a mesma estratégia de focar nos fãs, na comunidade, em propósito, além do resultado esportivo, outro exemplo é do Forest Green Rovers, que subiu para a terceira divisão na Inglaterra.  A agremiação de Gloucestershire realiza uma série de iniciativas ligadas à ecologia e à redução de seu impacto no meio ambiente.

Os Green Devils investiram em painéis de energia solar para as suas instalações, passaram a contar com um gramado orgânico em seu estádio, transportam os atletas em veículos elétricos e usam materiais esportivos feitos de itens reciclados. O elenco segue uma dieta vegana e as comidas vendidas no estádio também não têm qualquer origem animal. A ONU considerou os Verdes como “o primeiro clube de futebol a neutralizar as emissões de gás carbônico. 

A filosofia ecológica que diferencia o Forest Green Rovers pode garantir mais parceiros comerciais na terceira divisão. Outro atrativo comercial é a visibilidade rara que a região de Gloucestershire, pouco tradicional no futebol, ganha nesse momento.

Outro case interessante é do Bohemian FC. O clube irlandês se reformulou de um clube de futebol para um centro de apoio comunitário. Claro que o futebol ainda importa, mas o mais importante é que o clube defende e apoia aqueles que vivem na região de Phibsborough, ao norte de Dublin, onde se falam várias línguas e onde as oportunidades das pessoas são limitadas. Assim, o clube, que foi tomado como propriedade dos torcedores em 1890, agora é antes de tudo um veículo para melhorar a vida. Vai muito além do que o torcedor esperaria da confiança da comunidade de um clube.

Ao longo de anos consecutivos a terceira camisa dos Bohs apoiou instituições de caridade para refugiados (com 'Refugees are Welcome' na camisa) e, mais recentemente, ganhou o nome da banda indie local Fontaines DC, que está ajudando o clube a aumentar a conscientização sobre os sem-teto e o dano que causa às pessoas.

Tudo o que o clube faz é impulsionado pelas necessidades de sua comunidade e esse propósito único, graças ao poder das mídias sociais, significa que as pessoas que se identificam com sua causa ficam mais do que felizes em contribuir e comprar produtos, associações etc., mesmo que morem no Canadá e não tenham perspectiva realista de assistir a um jogo dos Bohs.

Outro clube com um propósito maior é o Lewes FC, clube inglês semiprofissional.  O foco do clube é igualdade e inclusão. Eles se tornaram o primeiro clube do mundo a pagar o mesmo salário às suas equipes masculinas e femininas. Dado que a equipe feminina está na segunda divisão do futebol feminino inglês e a equipe masculina está na sétima, pode-se argumentar que as meninas deveriam receber mais, mas a questão está feita.

Assim como Bohs, eles têm seguidores em todo o mundo, cada sócio paga £ 30 para ser membro. Eles têm um aplicativo para que você possa assistir aos jogos, acompanhar o trabalho da comunidade e se sentir parte do clube, independentemente de onde o fã esteja.

O Bury AFC,  outro clube inglês, é chamado Phoenix Club,  emergindo dos destroços deixados pelos ex proprietários. O propósito maior é tornar a vida melhor. Para crescer o clube e apoiar a comunidade. O clube é gerido pelos próprios fãs, que atualizaram o lema do antigo clube e criaram um conjunto de valores para guiar o trabalho que fazem.

Eles acumularam mais de 100 voluntários entusiasmados. Se tudo o que o clube está tentando fazer é vencer em campo, então há pouco que um voluntário possa contribuir significativamente além de “entrar no jogo”, como Bury AFC tem um propósito maior, então todos podem fazer a diferença.

O objetivo maior do FC Nordsjælland, clube dinamarquês de primeira linha, é sua academia “Right to Dream” em Gana. Não se encaixa no modelo tradicional das academias de futebol africanas, que é encotnrar novas estrelas e deixar as que não conseguirem sem suporte e apoio. A estratégia dos dinamarqueses promete duas opções aos seus jovens: um contrato de clube profissional ou uma qualificação profissional para iniciar uma carreira alternativa. 

Não é à toa que a FCN se tornou o primeiro clube inteiro a abraçar a caridade Common Goal de Juan Mata, onde os jogadores doam 1% de sua renda anual para instituições de caridade. Ao norte de Copenhague, toda a equipe participa.

O Sunderland AFC tem sido, por muitos anos, literalmente um Farol de Luz para a comunidade local,, um líder em formas inovadoras de alcançar os mais necessitados e usar o poder do clube e seus seguidores dedicados.

Um dos projetos da família Foundation of Light foi a participação de pais que trabalhavam fora da região e atingiu níveis recordes, simplesmente porque, se concluíssem o curso, seriam reconhecidos em campo antes de um jogo no Estádio da Luz.  a Fundação Foundation of Light é o que me deixa muitos fãs do Sunderland mais orgulhosos.

Outra parceria é com a Community Soup Kitchen Twitterthon, que atende a comunidade carente de Sunderland, além de parceria com voluntários que atendem pessoas com necessidade de melhoria da saúde mental entre outros.

Mark Bradley, da Fan Experience Company e torcedor do Sunderland, propõe que o clube de futebol se torne parte da Fundação, e não o contrário. O clube deve trabalhar com os torcedores, comunidades, empresas, escolas e até mesmo pessoas que deixaram a rgião para descobrir o que o Sunderland significa, desenvolver esse propósito maior e os valores para filtrar cada decisão que tomamos.

Os torcedores geralmente têm uma compreensão intrínseca dos valores de seus clubes, enquanto a maioria dos proprietários não, mas se o clube tiver uma visão clara de qual é o objetivo do clube, o CEO se torna o mais recente 'steward', reforçando valores, encontrando novas maneiras de tornar a vida melhor, colocando nosso clube no mapa para mais do que apenas focar no futebol.

Em breve trarei mais cases para demonstrar outros exemplos que vão além das quatro linhas e que podem trazer respeito, melhoria da marca, participação da comunidade e também aumento de receitas.

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