A realidade é mais complicada do que isso. É verdade que novos modelos de consumo estão surgindo, mas o que fica menos claro é se as organizações esportivas têm a infraestrutura necessária para aproveitar.
Adoção digital versus transformação digital
Simplesmente trazer novas tecnologias para atender à demanda atual não é suficiente – isso é adoção digital. A transformação digital exige a criação de sistemas e culturas que possam incorporar essas tecnologias e extrair valor a longo prazo para o benefício de uma organização, seus fãs e sua rede de parceiros e patrocinadores. Neste quesito a indústria tem muito mais a percorrer.
De acordo com a última pesquisa da PWC Sports, 73% dos executivos esportivos seniores acreditam que o uso de dados de fãs (quando se trata de obter sucesso comercial) foi decepcionante. Esse é um problema típico causado por plataformas que operam sem estarem compartilhadas e não podem ser analisadas em toda a organização.
Como os dados de público da uma plataforma OTT se comparam à interação do usuário com seu aplicativo oficial?
Como os novos dados de partidas podem ser usados para envolver os torcedores que assistem na TV e os que estão dentro do estádio?
Entender isso requer a criação de uma estratégia orientada pelos dados, que é a única maneira de construir uma imagem holística do que seus fãs realmente esperam e garantir que o setor cumpra a promessa de transformação digital.
Tudo se inicia com o fã
Ao projetar uma estratégia orientada pelos dados é importante entender que os fãs, e não os departamentos de tecnologia, são a chave para o sucesso. Devemos evitar suposições sobre qual conteúdo mostrar, quais plataformas criar ou quais grupos demográficos segmentar. Os fãs de esportes são um grupo muito diversificado, com uma conexão emocional que muitas vezes os torna mais propensos a se envolver. Os fãs são cheios de surpresas e devem sempre ter a chance de expressar suas preferências. Exemplos como da NHL pode servir como benchamarking.
Tendo escolhido o digital como seu canal de comunicação padrão, os torcedores têm infinitas maneiras de acompanhar e interagir com o esporte sem negociar as velhas barreiras de geografia, cultura ou renda. Isso cria uma enorme oportunidade para as propriedades esportivas criarem uma base de fãs verdadeiramente global e desenvolverem relacionamentos mais próximos e mais lucrativos com seu público se estabelecerem um processo subjacente orientado pelos dados.
Ao investir tempo e recursos para rastrear as preferências individuais dos fãs, as organizações obtêm a inteligência que ajuda a criar experiências digitais novas e valiosas. Esses requisitos vão aumentar com o tempo, o que significa que todas as partes de uma organização, desde os locais em que opera até os processos individuais de back-office, devem ser otimizadas para processos digitais que podem gerar dados.
Para esportes e entretenimento, existem três áreas principais em que as organizações podem começar a construir essa abordagem orientada pelos dados:
1. Fãs
A ascensão do streaming, da tecnologia móvel e das mídias sociais está definindo como os fãs consomem, compram e interagem; agora é uma expectativa que as experiências digitais estejam amplamente disponíveis.
O engajamento moderno dos fãs deve, portanto, ser moldado em torno de plataformas digitais que permitem essas conexões multicanais constantes, permitindo autenticação de login único e coleta de dados primários. O OTT faz parte disso, mas seu valor imediato vem de dados que podem ser analisados e comparados com dados de estádios, aplicativos ou sites.
À medida que os usuários registram informações em diferentes partes do ecossistema, a análise de negócios pode criar uma imagem completa de como as comunidades digitais estão se comportando, levando a uma melhor monetização dessas comunidades.
2. Competições
Para apoiar a digitalização do relacionamento com os fãs, também é necessário examinar os processos internos e como eles podem ser adaptados para melhorar a tomada de decisões. Depois de anos confiando em tarefas manuais, as novas ferramentas digitais podem reduzir drasticamente o tempo necessário para atingir os objetivos, ao mesmo tempo em que atraem uma gama maior de partes interessadas do que era possível anteriormente.
Com as novas ferramentas digitais são coletados dados que, se analisados corretamente, podem lançar uma nova luz sobre o desempenho de diferentes processos, abrindo as portas para grandes novas economias ou inovações futuras.
3. Conteúdo
Essa prática de gerar dados de todas as áreas cria então novas considerações sobre como eles podem ser incorporados ao próprio conteúdo, ajudando a maximizar seu valor.
Por exemplo, quantidades espetaculares de dados em tempo real podem ser capturadas das próprias partidas, que podem ser compartilhadas com as partes interessadas relevantes para acelerar a tomada de decisões e melhorar a análise, seja para treinamento ou estratégia de negócios mais ampla. Enquanto isso, para conteúdo de transmissão, a capacidade de incorporar novos dados pode aprimorar a narrativa e gerar um novo nível de envolvimento com o público.
O poder da interligação
As aplicações potenciais da tecnologia na indústria do esporte são vastas, mas se quisermos transformar essas oportunidades em crescimento sustentável, é necessário um pensamento estratégico conjunto.
Esteja você executando uma única plataforma digital ou um conjunto completo de serviços, é essencial que eles possam ser conectados a um único ecossistema baseado em dados, permitindo que informações sobre fãs, competições e conteúdo sejam compartilhadas em toda a organização.
Este é um processo que muitas vezes pode exigir orientação especializada e suporte contínuo, mas é o passo que manterá as organizações esportivas no caminho certo ao entrar na era da transformação digital.
Fonte: Sports Pro Media

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