Análises iniciais da volta do torcedor aos jogos do Brasileirão 2021


Após um ano e meio sem a presença do torcedor nos estádios, os jogos do Brasileirão voltaram a ter presença de público novamente à partir da rodada 23, mas com alguns clubes adiando seus jogos pois naquela data ainda não estava permitida a entrada de torcedores em todos os estados brasileiros. Após seis rodadas com a presença do torcedor e com o aumento gradativo da ocupação, seguem algumas análises para avaliação.

1) Onze clubes pagaram para jogar

 Não se discute que a atmosfera de um jogo de futebol com a presença do torcedor é totalmente diferente do que nos jogos sem torcida. O clima é totalmente diferente com o apoio da torcida ao seu time do coração, afetando o estado anímico dos jogadores, o que pode afetar positiva ou negativamente o desempenho e, como consequência, o resultado da partida. 

Nesse quesito o retorno do torcedor afetou consideravelmente o evento e o jogo em si. Por outro lado, ao se analisar o resultado financeiro, 11 clubes tiveram renda líquida negativa, o que significou que esses clubes pagaram para jogar, o que provavelmente não aconteceria sem a presença de público, pois os custos são menores. 

Novamente o Maracanã se mantém como uma das arenas mais caras para se realizar um jogo e qualquer partida com baixa taxa de ocupação afeta diretamente na renda líquida conforme demonstrado abaixo:

1) Flamengo: - R$ 838 mil

2) Fluminense : - R$ 610 mil

3) Bahia: - R$ 191 mil

4) Ceará : - R$ 182 mil

5) Fortaleza: - R$ 175 mil 

Não está computado nessa tabela a renda líquida do jogo Fluminense x Atlético Goianiense, o que provavelmente colocaria o Tricolor das Laranjeiras acima do Flamengo no ranking. Jogar na Arena Fonte Nova e na Arena Castelão também tem um custo elevado para jogos com baixa taxa de ocupação.

 Além da questão dos custos elevados das novas arenas, os demais clubes que tiveram prejuízo, foram os que tiveram baixa taxa de ocupação mesmo com a carga limitada de ingressos, com exceção do Santos, que teve 88% da ocupação com base nos ingressos disponíveis.

 2) Desempenho esportivo impacta diretamente na presença de publico 

Como nas demais edições, o líder do campeonato é também o clube com maiores médias de público. O Galo lidera a média de público, seguido por São Paulo e Palmeiras, clubes que nas edições anteriores também tiveram altas médias, conforme abaixo: 

1) Atlético Mineiro: 16,1 mil

2) São Paulo: 12,9 mil

3) Palmeiras: 11,1 mil

O Flamengo (sétimo do ranking) está com média de 8,1 mil, demonstrando que, quando o desempenho do clube não é o esperado, o torcedor não comparece ao Maracanã.

3) Taxa de Ocupação estável

 Durante as semanas que antecederam a volta do torcedor aos estádios era muito comum ler nas mídias sociais, sites e programas esportivos que o torcedor estava com muita vontade de voltar aos estádios e que poderiam ter lotação total dentro da carga de ingressos disponível e o que se observou não foi esse comportamento, com as taxas de ocupação se mantendo nos 50%, média, praticamente igual a taxa de 51% de 2019.

 Esses dados podem levar a conclusão que as expectativas não eram reais, mas apenas um palpite sobre como estaria a intensão do torcedor em voltar a comparecer aos jogos, mas não podemos deixar de considerar que uma boa parcela dos torcedores podem ainda estar com receio de voltar aos jogos ainda devido a pandemia.

Os três primeiros do ranking estão com maior taxa de ocupação devido à baixa capacidade de ingressos disponíveis conforme abaixo:

1) Atlético GO:  93%

2) Santos: 88%

3) Sport: 78%

O Atlético Mineiro (sexto no ranking) só elevou sua média de ocupação para 71% após reduzir praticamente pela metade o ticket médio dos dois primeiros jogos ( R$ 60,50) para a média de R$ 33,00 nos dois jogos seguintes.

4) Aumento do valor do Ticket Médio 

Apesar da pandemia, que provocou uma queda de renda do brasileiro, o ticket médio se manteve praticamente igual a 2019. Dos três clubes com maior ticket médio em 2019, Palmeiras e Flamengo aumentaram os preços enquanto o Corinthians teve uma leve redução como demonstrado abaixo:

 1) Flamengo: 6,7%

2) Palmeiras: 6,3%

3) Corinthians: - 1,7%

Além dos três clubes, o aumento mais significativo foi do Atlético Mineiro que, quando mandava seus jogos no Independência até 2019 tinha um ticket médio de R$ 17,12, agora subiu para R$ 40,48 com os jogos no Mineirão. A dupla Gre-Nal também aumentou em 30% o ticket médio em comparação a 2019.

Com o aumento da taxa de ocupação até o final do campeonato, somado às disputas que ainda estão ocorrendo por vagas nas Copas Continentais e pela fuga do rebaixamento, veremos se esses primeiros números sofrerão alterações significativas.

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