A economia ligada aos negócios com a experiência dos consumidores de entretenimento está se reiniciando, como evidenciado pela alta nos preços dos ingressos nos
últimos meses. Os fãs vacinados agora podem retornar com segurança aos
estádios, arenas ou locais para torcer por seus times e artistas favoritos, mas
os proprietários dos locais e provedores de experiência estão enfrentando elevadas
expectativas dos consumidores para reinventar a experiência presenciais. De
acordo com os dados coletados pelo Event Marketer, os consumidores têm de 10 a
15 vezes mais probabilidade de comparecer a um evento quando têm a opção de
elevar ou personalizar essa experiência.
Os locais não apenas devem garantir aos fãs que é seguro
voltar, mas também convencê-los de que a experiência pessoal é melhor ou, pelo
menos, comparável às experiências virtuais a que as pessoas se acostumaram nos últimos
17 meses. Os locais de entretenimento estão cada vez mais contando com
tecnologia e serviços digitais para aprimorar as experiências do público,
eliminar situações de contato físico para transações financeiras e fornecer
experiências adicionais.
Quando a economia ligada à experiências voltar à normalidade,
novas tendências irão defini-la bem como os novos papéis que as marcas podem
desempenhar nela.
Saúde Pública, Segurança & Operações
A saúde pública é a principal preocupação dos fãs que buscam
mais uma vez capturar a magia que surge ao comparecer a um evento presencial.
Locais e empresas estão tomando todas as medidas para ganhar a confiança dos
fãs e garantir sua segurança, como a criação de setores exclusivos para fãs
vacinados, setores com distanciamento social, brindes para os fãs dos planos VIP,
entre outros.
Seguem algumas ações adotadas recentemente:
- O Foo Fighters fez um show no Madison Square Garden para apenas
para fãs vacinados;
- A YinzCam, uma empresa que construiu a maioria dos
aplicativos móveis oficiais para vários times da NFL e NBA, está integrando o
sistema de autenticação de identidade da Clear, que permitirá usar o
reconhecimento facial para identificar os fãs quando eles compram ingressos com
acesso via celular, além disso, também adicionarão o status de vacinação
COVID-19 aos perfis dos usuários;
- Alguns estádios de alta tecnologia como o Allegiant
Stadium (casa do Las Vegas Raiders) e o SoFi Stadium (casa do Los Angeles
Rams), estão trabalhando com empresas de tecnologia como a Cisco para
gerenciamento da movimentação do público nas arenas e otimização de
estacionamentos.
Melhorias nas experiências digitais
A tecnologia trouxe uma nova camada digital e interativa
para a experiência pessoal, e muitos locais estão frequentemente fazendo experimentos
para ver quais implementações podem melhorar a experiência dos fãs, como os
exemplos abaixo:
- O Dallas Cowboys instalou antenas de alta capacidade para
aumentar a cobertura do sinal dentro do estádio da equipe, reforçando a força
do sinal 5G dentro do local para garantir que os fãs tenham acesso irrestrito
às experiências conectadas no local;
- Os Los Angeles Dodgers criou uma nova experiência de realidade
aumentada, onde os fãs podem tirar uma foto ao lado dos jogadores de forma virtual;
- Com o rápido crescimento dos NFTs, a Top Shot fez parceria
com a NBA para criar colecionáveis digitais a partir de momentos distintos da
NBA’s Summer League e distribuí-los em um quiosque onde os fãs poderiam comprar
um Momento Top Shot na arena do jogo que acabaram de ver;
- O Kansas City Chiefs fez parceria com a plataforma de
leilão de memorabilia I Got It para vender memorabilia usada por jogos, como
camisetas, chuteiras e bolas, todos autografados por vários jogadores do
Chiefs. Os leilões acontecem ao longo do jogo e são integrados ao app e ao site
do time, permitindo que fãs presenciais e remotos possam fazer parte do leilão;
- Para apresentações ao vivo como concertos e shows, os fãs
podem esperar que a experiência da música ao vivo seja maior, mais ousada e
mais envolvente do que nunca. Empresas como a Meyer Sound estão focadas em
conduzir a localização do som, usando tecnologia de áudio conectada para
permitir que os espectadores tenham a música no palco diretamente em seus fones
de ouvido. Talvez em breve veremos o uso de óculos inteligentes e outros tipos
de equipamentos que podem transmitir e reproduzir eventos offline no mundo
virtual para encantar fãs em todo o mundo;
- Os avanços no software de inteligência artificial estão
automatizando a criação de efeitos visuais impressionantes que estão
adicionando novas dimensões diferentes espaços. No final de 2020 a empresa XR Studios colaborou com o estúdio
multimídia Moment Factory para apresentar o show virtual de Billie Eilish e
apresentou uma gigantesca aranha animada em torno da artista enquanto ela se
movia pelo palco, e usou câmeras de fãs para fazer seus rostos aparecerem e
flutuarem em torno de Eilish enquanto ela se apresentava;
- As experiências pessoais também podem aprender com as
experiências digitais e aumentar a participação dos fãs por meio de pontos de
contato móveis e digitais. Quando os Jonas Brothers realizaram seus shows
online durante a pandemia os fãs podiam solicitar músicas por votação online e
enviar seus próprios designs de efeitos visuais para serem apresentados nos
shows virtuais. Todas essas táticas de engajamento dos fãs podem ser replicadas
e incorporadas em eventos offline para otimizar ainda mais as experiências
pessoais.
Acesso híbrido e presença virtual
Apesar do retorno aos eventos presenciais, as experiências
virtuais que floresceram durante o lockdown não estão simplesmente
desaparecendo e um modelo híbrido que incentive e ofereça experiências
aprimoradas, independentemente de ser presencial ou digital será o caminho.
Espera-se uma possível mudança nos modelos de negócios que
oferecem serviços de assinatura como complementos para ofertas como pacotes de
ingressos para a temporada. Além de um pacote padrão de ingressos os fãs também
poderiam receber assinaturas digitais que lhes garantem acesso exclusivo a
treinos, jogadores ou treinadores.
Para shows, os fãs VIP podem ter acesso virtual aos
bastidores, com acesso de imagens dos engenheiros de som e toda equipe enquanto
montam o palco dos seus artistas favoritos. Eles também podem servir como um
mecanismo de geração de leads para a venda de ingressos ou outros pacotes de
hospitalidade.
O futuro dos eventos oferecerá aos fãs a escolha de
comparecer pessoalmente ou assistir em formatos virtuais imersivos, seja por
meio de um fone de ouvido de realidade virtual, ou por meio de um ambiente de
metaverso, cada um oferecendo diferentes níveis do envolvimento dos fãs. A
Clear criou experiências de eventos seguras e sem contato físico com
autenticações biométricas, que estão sendo implementadas em algumas instalações
esportivas. Em um futuro próximo, tecnologias semelhantes podem ser usadas para
verificar rapidamente as identidades dos titulares de ingressos e, com base em
seus níveis de acesso, desbloquear um link não compartilhável que lhes oferece
conteúdo extra, como peeks de bastidores exclusivos ou visualizações de câmeras
exclusivas.
À medida que mais locais são equipados com conectividade de
última geração alimentada por redes como 5G, WiFi 6 e redes mesh, alguns deles
estão experimentando o uso de câmeras de 360 graus colocadas em toda a arena,
o que significa que os fãs podem estar em uma parte do estádio e ainda poderem
ver a vista de uma parte diferente por meio de seu celular.
Isso foi testado no verão passado no Indianápolis 500, onde
uma câmera de alta definição e 360 graus habilitada para 5G foi colocada no
campo interno da pista e foi usada para capturar imagens usadas para uma
experiência de visualização de smartphone alimentada por realidade aumentada.
As jogadoras da WNBA do Connecticut Sun e do Seattle Storm
usarão sensores presos aos shorts durante a Commissioner`s Cup deste ano. A
arena também instalou câmeras de visão computacional para capturar destaques 3D
em tempo real para a transmissão no Amazon Prime Video. Os sensores rastrearão
dados como a velocidade de corrida das jogadoras, a frequência com que saltam e
a rapidez com que mudam de direção, com dados integrados à transmissão ao vivo
da Amazon.
A economia da experiência está passando por uma convergência
entre experiências presenciais e virtuais, o que significa que cada lado da
economia da experiência se tornará gradualmente mais parecido com o outro. As
experiências pessoais devem se tornar mais digitais, fornecendo níveis mais
altos de interatividade e facilidade de acesso, enquanto as experiências
digitais precisam adicionar componentes tangíveis que podem estender a
experiência virtual para o mundo offline para um envolvimento mais profundo dos
fãs.
Para marcas e profissionais de marketing, esse é um futuro
verdadeiramente omni-channel que irá desbloquear um mundo totalmente novo de
pontos de contato, à medida que exploram ativações híbridas e digitais. Esses
tipos de ativações darão às marcas a oportunidade de envolver os consumidores
de forma mais eficaz, oferecendo complementos e experiências personalizadas,
além de histórias e conteúdo envolventes. Isso cria um novo conjunto de
parcerias de mídia e tecnologia para as marcas explorarem.
Fonte: The Future of the Experience Economy
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